Page 2 - 700 Anos da Instituição da Ordem de Cristo Torre do Tombo
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Nos 700 anos da Criação da Ordem de Cristo / 1319 – 2019
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                         Concórdia feita entre D. Dinis e D. Fernando de Castela pela qual ajustaram que querendo o
                         Papa dispor dos bens dos Templários e tirá-los da sua jurisdição e senhorio, obrigavam-se a
                         defendê-los e que nem um nem outro fariam avença com o dito Papa sem ambos serem ouvidos.
                         Serra sobre Aljezira, 21 de Janeiro de 1310 (Expositor 1)



                         2. Em três dias, 14 a 16 de Março de 1319, em Avinhão, João XXII, entre outras bulas
                  com que encerra a questão templária na Península, ultima o processo da criação da Ordem de
                  Cristo.

                         Três documentos em três dias concluem a acção papal no longo processo desta criação:
                  No dia 14 a bula Ad ea ex quibus, a instituidora; no dia seguinte a bula Desiderantes ab íntimis,
                  que nomeia D.Gil Martins, então mestre de Avis, mestre da Ordem de Cristo, que lhe ordena
                  preste juramento de fidelidade à Santa Sé nas mãos do abade de Alcobaça, e o dispensa da visita
                  de  três  em  três  anos  a Roma;  e  por  fim,  no  dia  16,  as  letras  Venientes  ad  presentiam
                  comunicando ao rei ter tratado com os procuradores régios o negócio dos templários, tendo
                  acedido aos desejos do monarca, “quanto lhe foi possível”, conforme podia ver pela nota que
                  enviava   pelo   cavaleiro   João   Lourenço,   para   o   monarca   aprovar,   e   ratificar   os   seus
                  compromissos, enquanto o cónego Pedro Peres ficava na Cúria até à remissão ao papa da dita
                  ratificação.


                            Documentos expostos:

                             Bula Ad ea ex quibus (Expositor 1, versões digitais da bula original e da sua transcrição no
                             Livro das escrituras da Ordem de Cavalaria de Nosso Senhor Jesus Cristo). A bula original
                             não pode ser exposta pela sua excessiva dimensão em relação às vitrines: 980 X 730 mm

                             Bula desiderantes ab intimis, de 15 de Março de 1319, remetida a Gil Martins (Expositor 2,
                             versão digital)


                         3. Partido de Avinhão, seguramente sem demora, o cavaleiro e procurador e emissário
                  João Lourenço, cavaleiro de Monsarás, chegou a Santarém onde se encontrava D.Dinis, com a
                  notícia dos termos da negociação e com a bula.
                         Em 5 de Maio, sábado, aceita D.Dinis a bula e ratifica, não esta como tem sido
                  afirmado, mas as doações e concessões feitas em seu nome pelos seus procuradores, na presença
                  do bispo de Évora D.Giraldo, de Afonso Sanches, senhor de Albuquerque e mordomo do rei (e
                  seu filho bastardo), e de João filho do sereníssimo senhor Afonso de Espanha, e doutras
                  personagens para o efeito chamados.

                         Recebida a bula fundacional e ratificados os compromissos régios dela constantes
                  impunha-se cumprir o primeiro passo para a erecção da nova Ordem. A entrega, por D.Dinis
                  dos bens que lhe estavam pontificiamente atribuídos: o castelo de Castro Marim, que o monarca
                  dera à nova ordem para sua sede, e todos os todos os outros “castelos, fortalezas, lugares e bens
                  e direitos”, provindos da Ordem do Templo, incluindo aqueles sobre os quais, tendo sido
                  objecto de litígio, o procurador régio “ganhara sentença”.



                         Diligenciará   D.Dinis   sequentemente   o   cumprimento   do   acordado   pelos   seus
                  procuradores. Em 28 de Outubro, ordena aos seus oficiais que façam um levantamento dos bens


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