Page 3 - 700 Anos da Instituição da Ordem de Cristo Torre do Tombo
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Nos 700 anos da Criação da Ordem de Cristo / 1319 – 2019
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                  da Ordem do Templo para serem devidamente entregues: “Sabei que eu mando entregar todos
                  esses bens a D.Gil Martins, Mestre da Cavalaria da Ordem de Jesus Cristo […] e porque ele não
                  sabe onde esses bens são mando vos que façais saber ao mestre ou a quem ele vos mandar onde
                  são esses bens, e em que lugares”.



                         4.   Concretizadas   estas   diligências,   chegava   a   hora   de   dar   início   formal   ao
                  funcionamento   da   Ordem   com   a   sua   instituição   canónica.   Aliás,   quatro   meses  antes,   no
                  Domingo 22 de Julho, Jaime II de Aragão fizera concorrer ao seu palácio de Barcelona o bispo
                  da cidade e várias personagens para dar princípio à Ordem de Montesa, cuja bula fundacional
                  era já de Junho de 1317. Talvez em Portugal o processo tivesse sido ainda mais célere, não
                  tivessem sido tão árduos para D.Dinis os meses seguintes com a dissensão de seu filho herdeiro.

                         A cerimónia veio a realizar-se no Domingo, 18 de Novembro, no paço real da Alcáçova
                  Nova de Santarém, onde hoje se ergue a igreja da Companhia adoptada no século passado para
                  Sé da diocese de Santarém. Perante quatro dos nove bispos portugueses – os de Évora, Guarda,
                  Viseu e Lamego – e outras categorizadas testemunhas, o confessor régio e prior do mosteiro
                  dominicano de Lisboa, leu as bulas  Ad ea ex quibus  e  Desiderantes ab intimis. Depois Gil
                  Martins despiu o hábito de Avis e vestiu o de Cristo, assinalado com uma cruz, no altar da
                  capela régia, e prestou homenagem de fidelidade ao rei, intuitu personae como bem expressa a
                  tradução oficial dionisiana da bula: “E o juramento, e menagem sobreditos, queremos que
                  se façam ao dito rei, não por razão dos bens sobreditos, mais por razão da pessoa que o
                  juramento fizer, não ganhando o dito rei, pela dita menagem, nenhum direito nos ditos
                  bens;”, e, seguidamente (em ordem inversa ao disposto pontificiamente), prestou juramento ao
                  papa, tocando os Santos Evangelhos seguros pelas mãos do prior de Alcobaça e recitando a
                  fórmula prescrita no final da bula Ad ea ex quibus.


                        Documentos testemunhais:
                         Não se encontram expostas
                         -  nem o Instrumento notarial da fundação da Ordem da Milícia de Jesus Cristo por el-rei
                         D.Dinis, em Santarém, e do juramento prestado por seu primeiro Mestre, Gil Martins, redigido
                         por requisição do prior de Alcobaça e por mandado do rei, cuja cópia mais antiga (1439 ou
                         1440) se encontra na Alcobacense da BNP,
                         -  nem a Carta do Abade de Alcobaça em que dá conta ao pontífice do ocorrido, datada de
                         Alcobaça, 20 de Fevereiro de 1320,
                         mas no colóquio que no dia 18 de Novembro ocorrerá na Torre do Tombo será particularmente
                         relembrada esta cerimónia.


                         5. Instituída a Ordem, dois e oito dias depois, a 20 e a 26, dois documentos datados das
                  casas   na   Alcáçova   Velha   de   Santarém,   outrora   pertencentes   à   Ordem   do   Templo,   vêm
                  complementar todo este processo:

                         - a carta de quitação, dada pelo Mestre e convento da Ordem de Nosso Senhor Jesus
                         Cristo, naquele que é presumivelmente o primeiro capítulo da mesma, a el-rei D.Dinis,
                         de todos os bens que este recebera da Ordem do Templo, agora doados à de Cristo pelo
                         papa, dados os grandes encargos que aquele assumira no processo de conversão da
                         Ordem do Templo em Ordem de Cristo:   manutenção dos antigos mestre e freires
                         templários; as diligências diplomáticas junto da Santa Sé para a obtenção da nova
                         Ordem; a doação do castelo e vila de Castro Marim para cabeça da Ordem, a renúncia




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