Page 146 - Abolição_24.10.2017
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NOTAS                         Margarita Torremocha Hernández, Coimbra, Impren-  17   OLIVEIRA, António Brás de, “As execuções capitais
                      1   CORREIA, Eduardo, “Estudo sobre a evolução históri-  sa da Universidade, 2015, p. 119-145.  em Portugal num curioso manuscrito de 1843”, Re­
                                                  12   Em setembro de 1756, o marquês de Pombal fundou   vista da Biblioteca Nacional, n.° 2 (1), Lisboa, 1982,
                       ca das penas no direito português”, Boletim da Facul­
                       dade de Direito, n.° 53, Coimbra, 1977, p. 88.  a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto   p. 109-127.
                      2   HESPANHA, António Manuel, “Da “iustitia” à “disci-  Douro,  empresa mercantil  monopolista,  essencial   18   HESPANHA, António Manuel, “Da “iustitia” à “disci-
                       plina”. Textos, poder e política penal no antigo regi-  para o seu projeto económico. A população humilde   plina”...”, cit. O autor considerou fiáveis os dados de
                       me”, in Justiça e litigiosidade: História e prospectiva,   do Porto, nomeadamente taberneiros de ambos os   Secco sobre as execuções do século XVII. É por essa
                       Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1993, p. 297-   sexos, tanoeiros e pequenos armazenistas, agora   razão que os números que apresentamos são mais
                       -320. Originalmente publicado em Anuario de historia   impedida de comercializar o vinho, sentiu-se preju-  severos.
                       del derecho español, n.° 57, Madrid, 1987, p. 493-578,   dicada e a rebelião rebentou em fevereiro e março   19   Uma é Ana Joaquina Rosa, em 1764, nada mais se
                       edição que utilizei.         de 1757, mais ou menos manipulada por ingleses e   dizendo sobre ela. Um folheto de cordel sobre este
                      3   “O movimento abolicionista e a abolição da pena    outros burgueses portuenses que se viam afastados   caso (António Correia Viana, Espelho de delinquen­
                       de morte em Portugal (resenha histórica)”, in Obras   dos negócios dos vinhos. Foi de imediato constituído   tes, e vozes do desengano na Christã conformidade
                       Esparsas II. Estudos de História do Direito. Direito   um tribunal especial no Porto que atuou com uma   da morte, que foi observada em Anna Joaquina Rosa
                       Moderno, Coimbra, por Ordem da Universidade, 1981,   dureza invulgar. Compareceram perante essa Alçada   [...], Lisboa, Miguel Manescal da Costa, 1764) reitera
                       p. 103.                      478 réus, sendo 424 homens e 54 mulheres. Por sen-  ter sido condenada apenas por furto e haver sofrido
                      4  Idem, p. 106-108.          tença proferida a 12 de outubro e executada a 14, fo-  a morte a 29 de março no sítio da Cruz dos Quatro
                      5   História da legislação liberal I, Lisboa, Imprensa Nacional,   ram condenados à morte 21 homens e cinco mulheres.  Caminhos. O texto, seis páginas de rimas de cariz
                       1891, p. 95-96.            13   SECCO, António Luiz de Sousa Henriques, Memorias   edificante, em nada nos informa sobre os crimes
                      6   Foi nisso acompanhado por todo o governo, então   do tempo..., cit., p. 227-616. Secco incluiu ainda víti-  de Ana Joaquina e coloca na sua boca inverosímeis
                       dirigido pelo marquês de Loulé (cf. António Luiz de   mas da Inquisição de que teve notícia e que aqui não   palavras grandiloquentes. No ano imediato, dá-se
                       Sousa Henriques Secco, Memorias do tempo passado   são consideradas porque são pouco fiáveis e porque   a execução de Joana Maria de Jesus que devia per-
                       e presente para lição dos vindouros, Vol. 1, Coimbra,   este texto refere-se apenas à justiça civil. A Inquisi-  tencer  a  uma  quadrilha  porque  foi  sentenciada  e
                       Imprensa da Universidade, 1880, p. 490-494).  ção portuguesa foi criada em 1536 e extinta em 1821.   enforcada com cinco homens, todos por serem la-
                      7   Em  1786  e  1787,  a  Toscana  e  a  Áustria  tinham-na   A última morte decorrente de julgamento inquisito-  drões.
                       também  abolido,  mas  rapidamente  a  restabelece-  rial aconteceu em 1761.  20   É possível, contudo, que as condenações por infan-
                       ram, em 1790 e em 1795.    14   CARDOSO, Maria Teresa, Os presos da Relação do Porto.    ticídio estejam sub-representadas porque podem ter
                      8   CRUZ, Guilherme Braga da, “O movimento abolicio-  Entre a cadeia e a Misericórdia (1735 a 1740), Braga,    escapado à pena última.
                       nista...”, cit., p. 228-231.  tese de mestrado apresentada ao Instituto de Ciências   21   LOPES, Maria Antónia, “Sofrimentos das populações
                      9  Idem, p. 232-239.          Sociais da Universidade do Minho, 2005, p. 184.  na Terceira Invasão Francesa. De Gouveia a Pombal”, in
                      10   Publicado depois em A musa em férias.  15   JORDÃO, Levy Maria, Projecto de Código Penal Portu­  O Exército Português e as Comemorações dos 200 Anos
                      11   Mulheres condenadas à morte em Portugal: de 1693   guez, Lisboa, Imprensa Nacional, 1861, p. 223-235.  da Guerra Peninsular (volume III – 2010­2011), Lisboa,
                       à abolição da pena última”, in As mulheres perante    16   SILVA, Inocêncio da, Diccionario bibliográfico portuguez,   Tribuna da História, 2011, p. 299-323.
                       os tribunais do Antigo Regime na Península Ibérica,   Vol. 7, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1987,   22   SECCO, António Luiz de Sousa Henriques, Memorias
                       coordenado por Isabel Mendes Drumond Braga e    p. 229-254.  do tempo..., cit., p. 556.


                      NOTES                         and Margarita Torremocha Hernández, Coimbra Uni-  17   OLIVEIRA, António Brás de, “As execuções capitais em
                      1   CORREIA, Eduardo, Estudo sobre a evolução histórica   versity Press, 2015, p. 119-145.  Portugal num curioso manuscrito de 1843”, Revista
                                                  12   In September 1756, the Marquis of Pombal founded the   da Biblioteca Nacional, no. 2 (1), Lisbon, 1982, p. 109-
                       das penas no direito português, Boletim da Faculdade
                       de Direito, no. 53, Coimbra, 1977, p. 88.  General Company for the Agriculture of the Alto Douro   -127.
                      2   HESPANHA, António Manuel,  Da “iustitia” à “disci­  Vineyards, a monopolistic mercantile enterprise which   18   HESPANHA, António Manuel,  Da “iustitia” à “disci­
                                                    was fundamental to his economic project. The com-  plina”..., op. cit. The author considered Secco’s figures
                       plina”. Textos, poder e política penal no antigo regime,
                                                                                   th
                       in Justiça e litigiosidade: História e prospectiva, Lisbon,   mon people of Porto, particularly innkeepers of both   for 17  century executions to be reliable. This is why
                                                                                the numbers presented in this article are higher.
                       Calouste  Gulbenkian  Foundation,  1993,  p.  297-320.   sexes, coopers and small shopkeepers, were prevented   19   One of them was Ana Joaquina Rosa, in 1764, with no
                                                    from selling wine and felt unfairly treated. Rebellion
                       Originally published in Anuario de historia del derecho   broke out in February and March 1757, to a large extent   further information given about her. A cordel pam-
                       español, no. 57, Madrid, 1987, p. 493-578, which is the   manipulated by the English and other burgers of Porto   phlet recounting the case (António Correia Viana,
                       edition I used.
                      3   “O movimento abolicionista e a abolição da pena de   who had found themselves pushed out of the wine   Espelho de delinquentes, e vozes do desengano na
                                                    trade. A special assize was immediately set up in Porto   Christã conformidade da morte, que foi observada
                       morte em Portugal (resenha histórica)”, in Obras Espar­  and acted with unusual harshness. Of the 478 prisoners   em Anna Joaquina Rosa [...], Lisbon, Miguel Manes-
                       sas II. Estudos de História do Direito. Direito Moder­   brought before it, 424 were men and 54 were women.   cal da Costa, 1764) states that she was condemned
                       no, Coimbra, published by the University, 1981, p. 103.  Twenty-one men and five women were condemned to   only for theft and put to death on 29 March at the
                      4   Idem, p. 106-108.
                                                    death on 12 October and executed two days later.  place of the Four Ways Cross. The text, six pages of
                      5   História da legislação liberal I, Lisbon, National Press,
                                                  13   SECCO, António Luiz de Sousa Henriques, Memorias   edifying rhyme, tells us nothing about the crimes of
                       1891, p. 95-96.              do tempo..., cit., p. 227-616. Secco also included vic-  Ana Joaquina and puts unconvincing, grandiloquent
                      6   He was accompanied in this by the whole govern-
                                                    tims of the Inquisition that he learned of and who   words in her mouth. The following year Joana Maria
                       ment, led at the time by the Marquis of Loulé (see   are not included here, because the figures are fairly   de Jesus was executed. She must have belonged to
                       António Luiz de Sousa Henriques Secco, Memórias do   unreliable and this text refers only to civil justice. The   a  gang,  because  she  was  sentenced  and  hanged
                       tempo passado e presente para lição dos vindouros,   Portuguese Inquisition was set up in 1536 and ended   alongside  five  men,  all  of  them  condemned  as
                       Vol. 1, Coimbra, University Press, 1880, p. 490-494).  in 1821. The last death resulting from a judgement of   thieves.
                      7   Tuscany and Austria had also abolished it (1786 and   20   It is possible, though, that convictions for infanticide
                                                    the Inquisition was in 1761.
                       1787), but swiftly restored it (1790 and 1795).  14   CARDOSO, Maria Teresa,  Os presos da Relação do   may be under-represented as they may not have
                      8   CRUZ, Guilherme Braga da,  O movimento abolicio­
                                                    Porto. Entre a cadeia e a Misericórdia (1735 a 1740),   incurred the death penalty.
                       nista..., op. cit., p. 228-231.  Braga, master’s thesis presented to the University of   21   LOPES, Maria Antónia, “Sofrimentos das populações
                      9   Idem, p. 232-239.
                                                    Minho’s Institute of Social Sciences, 2005, p. 184.  na Terceira Invasão Francesa. De Gouveia a Pombal” in
                      10   Later published in A musa em férias.  15   JORDÃO, Levy Maria, Projecto de Código Penal Portu­  O Exército Português e as Comemorações dos 200 Anos
                      11   “Mulheres condenadas à morte em Portugal: de
                                                    guez, Lisbon, National Press, 1861, p. 223-235.  da Guerra Peninsular (volume III ­ 2010­2011), Lisbon,
                       1693 à abolição da pena última”, in  As mulheres   16   SILVA, Inocêncio da,  Diccionario bibliográfico por­  Tribuna da História, 2011, p. 299-323.
                       perante os tribunais do Antigo Regime na Península   tuguez, Vol. 7, Lisbon, Imprensa Nacional-Casa da   22   SECCO, António Luiz de Sousa Henriques, Memorias
                       Ibérica compiled by Isabel Mendes Drumond Braga   Moeda, 1987, p. 229-254.  do tempo..., op cit., p. 556.
                                                                                                            145
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