Page 68 - Abolição_24.10.2017
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general Sá Cardoso – sendo ministro da Guerra o coronel Hélder Ribeiro –, o país foi per-
                                corrido pelo Vagon Fantas�a. Para evitar as sabotagens e descarrilamentos provocadas pelos
                                atentados anarquistas, o governo decidiu que «em frente de cada comboio, fosse colocado um
                                vagon com grevistas, como garantia de segurança para o público, cujos interesses lhe incumbe
                                defender». Radicalizadas pelas doutrinas libertárias, minorias ativas – os �eneurs, como eram
                                referidos à época, – manobravam com habilidade as dificuldades sociais decorrentes da crise
                                económica do pós -guerra. Grupos radicais recorriam aos métodos de terrorismo urbano mais
                                violentos, destruindo linhas de comboios ou fazendo ataques à mão armada. Foi justamente
                                na sequência de vários ataques bombistas perpetrados durante a greve de fevereiro/março de
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                                1922 que Cunha Leal , um ex -primeiro ministro saído da crise política desencadeada pela
                                “Noite Sangrenta”  e à altura deputado independente, se decidiu anunciar à imprensa a apre-
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                                sentação de um projeto de lei visando a reposição da pena de morte para crimes de natu-
                                reza político -social. A paixão política irradiara pela cidade uma mão cheia de sangue: toda
                                a gente vivia com a memória fresca da “Leva da Morte”, (o célebre episódio da Rua Victor
                                Cordon, em Lisboa, onde pereceu o Visconde da Ribeira Brava, entre outros), do assassínio
                                de Sidónio Pais e dos fuzilamentos do 19 de Outubro de 1921. Vivia -se atemorizado com a
                                ocorrência quase diária de atentados bombistas, potenciados pelo descontentamento social.
                                A Igreja, pela voz dos seus dirigentes, atribuía a facto à descristianização crescente da socie-
                                dade; os republicanos, à falência da escola na educação moral do povo; a opinião pública julgava





                                incapable of solving the economic and social problems raised by the strikers, normally dealt
                                with the strikes by repressing them and replacing the strikers with soldiers. In 1919, under
                                the government of General Sá Cardoso – with Colonel Helder Ribeiro as Minister of War – the
                                country’s railways were travelled by the “Ghost Carriage”. In order to avoid derailments and
                                sabotage caused by anarchist attacks, the government decided that “a carriage carrying strik-
                                ers should be coupled to the front of every train, to guarantee the safety of the public, whose
                                interests it is obliged to defend”. Active minorities radicalised by libertarian thinking – known
                                at the time as �eneurs – skilfully manipulated the social difficulties created by the post-war
                                economic crisis. Radical groups adopted the most violent forms of urban terrorism, destroying
                                train lines or carrying out armed attacks. It was after several bomb attacks during the strike of
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                                February/March 1922 that Cunha Leal,  a former prime minister who emerged from the politi-
                                cal crisis unleashed by the noite sangrenta (night of blood)  and was at that time an independ-
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                                ent member of parliament, decided to announce to the press the presentation of a members’
                                bill aimed at reimposing the death penalty for political-social crimes. Political passion flared
                                across the city, its hands stained with blood. The leva da �orte (the famous episode in Lisbon’s
                                Rua Victor Cordon in which the Viscount of Ribeira Brava was killed, among others) was fresh
                                in people’s minds, as was the assassination of Sidónio Pais and the shootings of 19 October
                                1921. People lived in fear of almost daily bomb attacks, fomented by social unrest. The church,
                                speaking through its leaders, blamed the situation on the increasing godlessness of society;



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