Page 25 - Abolição_24.10.2017
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para o nosso presente e para o nosso futuro. É mesmo uma condição essencial para construir-
mos um futuro melhor para todos os povos da Terra.
Num tempo como o deste conturbado primeiro quartel do século xxi, que vive uma
ameaçadora situação, cuja face mais inquietante é a de uma grave crise moral e política das
democracias, precisamos, mais do que nunca, de ter como nossos os valores que inspiraram o
melhor da nossa política, da nossa cultura, da nossa civilização.
Às regressões obscurantistas e retrógradas, que alguns propõem como respostas aos pro-
blemas, devemos opor os valores e princípios do Iluminismo, que se sintetizam na emblemá-
tica trilogia de «Liberdade, Igualdade, Fraternidade», constituindo o fundamento e o motor do
progresso humano, em todas as suas dimensões e seus horizontes.
Ao ódio, ao chauvinismo e à xenofobia devemos contrapor a ideia de que todos os seres
humanos nascem livres e iguais, no reconhecimento da sua dignidade fundamental e dos seus
direitos inalienáveis.
Ao isolamento, à arrogância, ao confronto e à ameaça da guerra há que opor a abertura, o
diálogo e uma paz exigente, mas construtiva e empenhada, ativa e vigilante.
Ao choque de civilizações, ao confronto, à exclusão, à discriminação e à hostilidade
de uns contra os outros, temos de contrapropor a consciência partilhada por todos de que
habitamos uma Casa Comum que temos o dever de preservar e defender, tornando -a de todos.
É nos momentos de perigo, incerteza e ameaça que devemos afirmar os valores que guiam
e definem, os princípios que orientam e distinguem, as certezas que dão ânimo e confiança na
we need, more than ever, to keep the values that have inspired the best of our politics, our
culture, our civilisation.
We should confront the obscurantist and backwards-looking steps that some propose as
solutions to problems with the values and principles of the Enlightenment, which can be sum-
marised as the emblematic trilogy of “Liberty, Equality, Fraternity”. These are the foundation
and driving force of human progress in all its dimensions and on all fronts.
We should counter hatred, chauvinism and xenophobia with the idea that all humans are
born free and equal, in the recognition of their fundamental dignity and their inalienable rights.
We must oppose isolation, arrogance, confrontation and threats of war with openness,
dialogue and a demanding but constructive and committed, active and attentive peace.
We must counter the clash of civilisations, confrontation, exclusion, discrimination and
hostility to one another with an awareness shared by all who inhabit the common home which
we have the duty to preserve and defend, making sure it belongs to everyone.
It is at moments of danger, uncertainty and threat that we must assert values that guide
and define, principles that direct and distinguish, certainties that provide humanity with
encouragement and confidence. These moments of peril only become irreversible if dan-
ger is joined by fear, if we add fainthearted timidity to uncertainty, if menace is joined by
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